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Recuo de Trump na regulação de IA expõe poder das big techs

Manu Ramalho
Manu Ramalho

23 de maio de 2026

Donald Trump desistiu de assinar ordem executiva que exigiria revisão de segurança para novos modelos de IA, após pressão de líderes de tecnologia.

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Recuo de Trump na regulação de IA expõe poder das big techs

O governo Trump recuou da assinatura de uma ordem executiva que obrigaria empresas de inteligência artificial a submeterem novos modelos a uma revisão de segurança antes do lançamento. A medida, que estava prestes a ser assinada, foi abandonada após forte pressão de líderes das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos. O episódio revela como o lobby das big techs conseguiu barrar uma das propostas regulatórias mais duras já planejadas para o setor.

Segundo reportagem do The Guardian, executivos de companhias como Google, Meta, OpenAI e Microsoft se reuniram com assessores da Casa Branca nos dias que antecederam a decisão. O setor de tecnologia gastou dezenas de milhões de dólares em campanhas de lobby contra regulações nos últimos meses.

O que era a ordem executiva que Trump não assinou sobre regulação de IA?

A ordem executiva planejada determinava que toda empresa desenvolvendo modelos de IA de última geração — com capacidade computacional acima de um certo limiar — deveria obter uma certificação de segurança emitida por uma agência federal antes de disponibilizar o modelo ao público. Na prática, isso criaria um controle prévio semelhante ao que já existe para medicamentos e aviões. A proposta gerou reação imediata de executivos, que argumentavam que a medida atrasaria a inovação e daria vantagem a concorrentes estrangeiros.

Como as big techs pressionaram o governo contra a regulação de IA?

A pressão foi orquestrada por meio de reuniões privadas, campanhas publicitárias e, principalmente, contribuições financeiras a comitês de campanha. Fontes do governo afirmam que pelo menos três encontros ocorreram no Salão Oval com CEOs de grandes empresas, que teriam alertado que a regra poderia levar à fuga de talentos e investimentos para outros países. O argumento do “risco à competitividade americana” prevaleceu sobre as preocupações com segurança, que eram defendidas por pesquisadores e ativistas. A decisão é vista como uma vitória clara do setor, que já enfrenta críticas por falta de transparência e controle.

Por que o recuo de Trump na regulação de IA importa para o Brasil?

A ausência de uma regulação federal nos Estados Unidos cria um precedente para outros países, incluindo o Brasil, que discute seu próprio marco legal para inteligência artificial. Se a maior economia do mundo recua na regulação, países emergentes tendem a seguir o mesmo caminho com receio de perder investimentos. Além disso, modelos de IA lançados sem revisão de segurança podem ser usados globalmente, impactando diretamente a segurança digital de cidadãos e empresas brasileiras. A decisão de Trump torna ainda mais urgente que o Brasil construa uma regulação própria, que não dependa dos movimentos de Washington.

Perguntas Frequentes sobre o recuo de Trump na regulação de IA

O que motivou o recuo de Trump?

A pressão de executivos de big techs, que argumentaram que a regra prejudicaria a inovação e a competitividade americana, levou o presidente a abandonar a ordem executiva.

A regulação de IA nos EUA está descartada?

Não, mas o episódio indica que qualquer tentativa de regulação mais rígida enfrentará forte oposição do setor de tecnologia, que já gastou milhões em lobby.

Como isso afeta o desenvolvimento de IA no Brasil?

Empresas brasileiras que usam modelos americanos continuarão sem garantias de segurança prévia, e o debate sobre regulação local pode se tornar ainda mais polarizado com o exemplo americano de desregulamentação.

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Manu Ramalho

Escrito por

Manu Ramalho

Sou Manu Ramalho, publicitária com 15 anos de estrada conectando marcas e pessoas. Como fundadora da EME Marketing Digital, sempre busquei o marketing estratégico para gerar conexões autênticas. Aqui, mergulho na fronteira da inteligência artificial como analista de tendências. Meu foco é traduzir a complexidade de NLP, novos modelos de linguagem e papers acadêmicos para o mundo real, sempre com um olhar atento à regulamentação, ética e aos impactos sociais que essa tecnologia imprime na nossa sociedade.

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