IA no Exército dos EUA: tecnologia está pronta, mas soldados não – e esse é o verdadeiro problema
10 de maio de 2026
O Exército dos EUA acelera a adoção de inteligência artificial, mas o ex-CIO Leonel Garciga alerta: o maior obstáculo não é a tecnologia, e sim a resistência cultural das tropas.
O Pentágono está de olho em sistemas de IA para acelerar operações e tomar decisões em tempo real. Mas, segundo Leonel Garciga, ex-CIO do Exército americano, o verdadeiro entrave não está nos algoritmos ou no poder de processamento — está na cabeça dos soldados. Em entrevista ao Business Insider, Garciga afirmou que a modernização com IA enfrenta um "desafio cultural profundo": fazer os militares repensarem processos e confiarem em ferramentas que desafiam décadas de tradição.
Resistência cultural é o maior desafio da IA militar
Garciga não poupou críticas ao otimismo tecnológico. "Não é o hardware nem o software que atrasam a transformação — são as pessoas", disse. No Exército, cada decisão passou por hierarquias rígidas e protocolos testados. A IA, porém, exige agilidade e descentralização, o que colide com a cultura de comando e controle. O ex-CIO destacou que muitos oficiais simplesmente não confiam em sistemas que tomam decisões de forma autônoma ou sugerem rotas que fogem dos manuais.
Por que soldados resistem à mudança com IA?
A resistência não é irracional. Em campo de batalha, o erro de uma máquina pode custar vidas. Garciga aponta que, mesmo com treinamento, soldados veteranos tendem a ignorar recomendações da IA quando elas contradizem sua intuição. Ele defende que o Exército precisa criar "campeões da IA" em cada unidade — militares que entendam tanto a tecnologia quanto a cultura local — para facilitar a adoção.
Lições sobre resistência cultural para organizações
A lição vai além dos quartéis. Empresas que tentam implantar IA, como as que usam ferramentas para automatizar código, frequentemente esbarram no mesmo muro cultural. Um exemplo recente é a reestruturação da Cloudflare, que cortou 20% da força de trabalho enquanto apostava na "era da IA agêntica". Mudar processos e cargos gera atrito — e isso não se resolve com computadores mais rápidos. Garciga sugere que o caminho é treinamento contínuo, transparência nos resultados e, acima de tudo, paciência para vencer a inércia organizacional.
Como o Exército enfrenta a resistência cultural à IA
O Pentágono já lançou programas-piloto onde soldados comuns, não apenas especialistas, operam sistemas de IA. A ideia é incorporar a tecnologia em simulações de baixo risco, permitindo que os militares criem familiaridade sem medo de consequências fatais. Garciga também defende que os líderes militares deem o exemplo — usar abertamente a IA em suas próprias decisões táticas, mesmo que apenas como suporte, para normalizar seu uso.
Perguntas Frequentes sobre resistência cultural e IA
A IA no Exército já está sendo usada em combate real?
Sim, sistemas de IA já auxiliam na análise de imagens de drones e na logística de suprimentos, mas ainda há forte supervisão humana.Por que a cultura militar resiste mais que a de empresas privadas?
Porque o erro tem consequências imediatas e fatais, e a hierarquia é mais rígida, dificultando a descentralização que a IA exige.Quanto tempo leva para mudar essa cultura?
Garciga estima que são necessários de 5 a 10 anos de treinamento sistemático e liderança exemplar para que a IA seja adotada naturalmente.Fonte: www.businessinsider.com
Escrito por
Manu RamalhoSou Manu Ramalho, publicitária com 15 anos de estrada conectando marcas e pessoas. Como fundadora da EME Marketing Digital, sempre busquei o marketing estratégico para gerar conexões autênticas. Aqui, mergulho na fronteira da inteligência artificial como analista de tendências. Meu foco é traduzir a complexidade de NLP, novos modelos de linguagem e papers acadêmicos para o mundo real, sempre com um olhar atento à regulamentação, ética e aos impactos sociais que essa tecnologia imprime na nossa sociedade.